Para facilitar a consulta das entradas já publicadas na categoria de “Cálculo Financeiro” agrupo-as aqui, por ordem cronológica.
1 – Base dos logaritmos naturais e juros
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A base
dos logaritmos naturais
aparece no cálculo financeiro no caso limite em que a taxa de juro é continuamente composta.
Vou começar pelo caso discreto.
Admitamos que num determinado contrato se aplica, em cada trimestre, uma taxa de juro
composta (trimestralmente, isto é
vezes por ano). A taxa nominal anual
é então
,
pelo que
.
Se o capital investido no início for
, os montantes futuros
ao fim dos vários períodos trimestrais serão:
- 1º trimestre: 
- 2º trimestre: 
- 3º trimestre: 

- trimestre
:
.
Se em vez de
períodos de capitalização, houver
, passaremos a ter ao fim desses
períodos, o montante
.
Por isso

ou
,
o que traduz a taxa efectiva
do contrato, ou seja a relação entre os juros durante um ano e o capital
, conhecido por principal.
Exemplos numéricos: Se a taxa nominal do contrato for de
ao ano composta
-
semestralmente, a taxa efectiva será 
-
trimestralmente,

-
mensalmente,

-
E o que acontece se a taxa for composta em infinitos períodos? É a chamada composição contínua. Corresponde, neste exemplo, ao limite de

quando
tende para
.
Como é bem sabido do início da Análise,
.
Por este motivo tem-se, no exemplo
.
No caso geral da taxa
(para simplificar a notação que se segue) será
Em resumo, na composição contínua a relação entre as taxas de juro nominal
e efectiva
é dada por

donde
.
.
ADENDAS DE 13-6-2008 E 20-8-2008: pode ver nesta entrada um exemplo de aplicação de

bem como nesta.
2 – Logaritmos nos cálculos financeiros
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Suponha o leitor que pretende determinar a taxa nominal anual que composta mensalmente origina uma taxa efectiva de
. A relação entre a taxa efectiva (
) e a nominal (
) é dada pela conhecida igualdade
,
em que
é o número de períodos de capitalização.
Numericamente será:


Aplicando logaritmos a ambos os membros desta igualdade, teremos sucessivamente


.
Agora calcula-se o anti-logaritmo:

e como
,

ou



A taxa nominal anual é pois igual a
.
Sobre o comportamento de

quando
tende para infinito, veja esta minha entrada.
3 – Série uniforme de pagamentos: Formação de capital
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Admita o leitor que constitui um fundo, fazendo uma sequência de
pagamentos constantes
à taxa de juro
e que pretende saber qual a relação entre o capital
, no fim dos
períodos, e o valor de
.
O primeiro pagamento rende juros durante
períodos. O segundo, durante
e, em geral, o do período
, durante
períodos. Então, o valor futuro correspondente ao pagamento do período
é
.
Se somarmos todos os valores futuros
, para
, atendendo à fórmula da soma dos primeiros
termos de uma progressão geométrica de razão
e primeiro termo
, que é igual a
,
em que, neste caso,
(ver a seguir
) e
, obtém-se
.
Se exprimirmos
em função de
, virá
.
Três condições importantes de aplicação destas fórmulas são: os pagamentos
são uniformes e equidistantes entre si, efectuando-se no final de cada período, e a taxa de juro
permanece inalterada.
Exemplos numéricos: qual a quantia que deve ser depositada anualmente, durante dez anos, numa conta, à taxa de juro de
, de modo que o seu saldo venha a ser igual a
unidades monetárias? E durante 20 anos? E se a taxa de juro for de
?
Neste caso devemos determinar
, conhecida a taxa de juro
e o valor futuro
, para
:
unidades monetárias.
Para 
unidades monetárias.
Se
, tem-se, para dez e 20 anos, respectivamente,
e
unidades monetárias, claro que muito menos.
Ao fim de
anos, no caso limite em que a taxa de juro é continuamente composta, se a taxa nominal for
, a taxa efectiva, como mostrei aqui é igual a
, pelo que a relação anterior da formação de capital se traduz em
.
P. S. corrigido erro num somatório. Usado
para a razão da progressão geométrica, para não se confundir com a taxa
do último parágrafo.
ADENDA DE 20-8-2008: gráfico da relação
em função da taxa de juro
para
períodos

E como determinar
conhecidos
e
? Veja exercício numério de cálculo da raiz de uma equação não linear aqui.
ADENDA DE 9-11-2008: acrescentado link no último parágrafo ao cálculo da raíz de uma equação não linear.
ADENDA DE 30-1-2009: veja aplicação aqui
(mais…)