Conferência Gulbenkian – Evolução e Desenvolvimento: Variações a dois Tempos e Muitas Cores

INFORMAÇÃO RECEBIDA DA GULBENKIAN COM PEDIDO DE DIVULGAÇÃO 

« O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian  (Av. de Berna, 45 A)  a conferência  – EVOLUÇÃO E DESENVOLVIMENTO: VARIAÇÕES A DOIS TEMPOS E MUITAS CORES –  que terá lugar no dia 5 de Novembro, às 18h00, e será proferida pela Profª. PATRÍCIA BELDADE da Universidade de Leiden e do Instituto Gulbenkian de Ciência.   (…)

 

Poderá também assistir em directo através do site: http://live.fccn.pt/fcg/  e enviar as suas questões (darwin@gulbenkian.pt) que o orador responderá no final da sessão.

Junto tenho o gosto de enviar o texto introdutório do Prof. João Caraça, Director do Serviço de Ciência, bem como o currículo da Profª. Patrícia Beldade  e o resumo  da conferência.

(…)

Rita Rebelo de Andrade

Serviço de Ciência

E. – randrade@gulbenkian.pt

T. (00351) 21782 3525 /F. (00351) 21782 3019  »

Anexos:

NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO

Novos conceitos e poderosas ideias acompanharam o estabelecimento das sociedades modernas que hoje povoam a Europa, tais como o heliocentrismo (que Copérnico foi beber à Itália renascentista) implicando que o nosso planeta tenha uma origem comum – a poeira cósmica; o movimento uniforme como estado de equilíbrio no universo e não o do repouso (o princípio da relatividade de Galileu); a gravidade como explicação dos fenómenos nos céus e na Terra (a atracção universal de Newton); a origem comum das espécies vivas neste planeta (a teoria da evolução de Darwin); e a equivalência entre massa e energia que permitiu a Einstein unificar as causas e a dinâmica dos corpos em movimento.

Entre estes, aquele que provocou mais acesos e emocionados debates foi sem dúvida o da evolução dos seres vivos por selecção natural na luta pela sobrevivência. Perceberam as elites dirigentes, bem como os donos dos princípios éticos e morais da época, que a teoria de Charles Darwin vinha relegar para o infinito o último elo com o Além que ainda restava na natureza: o da origem divina dos seres humanos. Os conceitos de evolução, de transformação e de adaptação, mostram como a mudança é omnipresente em tudo o que se relaciona com a nossa realidade – nas suas três vertentes: a exterior, a social e a interior.

A investigação científica em biologia mostra igualmente como a evolução e a selecção dos seres vivos está a acontecer todos os dias, em todos os instantes. É, assim, fundamental que encaremos o mundo segundo uma perspectiva que acolha os ensinamentos da ciência. Só é possível mudar o mundo se mudarmos o modo como o olhamos – e tornarmos consequente essa mudança. É isso que fazem todos os povos que apostam no seu futuro.

A Fundação Calouste Gulbenkian vai por este motivo realizar uma exposição intitulada “A Evolução de Darwin” entre 12 de Fevereiro e 24 de Maio de 2009, para comemorar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e, simultaneamente, a passagem de 150 anos sobre a publicação da sua obra seminal “A Origem das Espécies”.

O presente ciclo de conferências pretende que todos se iniciem ou (se já iniciados) prossigam “No Caminho da Evolução”, criando continuamente imagens construtivas e positivas de si próprios e dos outros, na interacção com a sociedade e o meio ambiente, preparando o clima de saudável circulação de ideias e de aprendizagem que a Exposição de 2009 certamente proporcionará.

João Caraça
Director do Serviço de Ciência

 

EVOLUÇÃO E DESENVOLVIMENTO: VARIAÇÕES A DOIS TEMPOS E MUITAS CORES
PATRÍCIA BELDADE

Como Darwin, biólogos e não biólogos interessados e observadores da natureza que os rodeia não podem senão deixar-se fascinar pela espectacular diversidade de cores e formas dos organismos vivos. Esta diversidade resulta do balanço entre dois processos biológicos fundamentais: o desenvolvimento, que se repete em cada geração, e a evolução, que acontece ao longo de gerações.

Em cada geração, o desenvolvimento traduz a informação codificada no ADN, a molécula de que são feitos os genes, e transforma o ovo fertilizado num organismo multicelular mais ou menos complexo. Um elefante é um elefante e um Homem é um Homem e toda a informação necessária para que de um ovo se produza um ou outro animal está na sequência de quatro letras que compõem os genes herdados dos pais de cada um. Diferenças no ADN resultam em alterações na sequência de eventos do desenvolvimento embrionário e, finalmente, em diferenças nas características dos indivíduos adultos. Estas diferenças podem ser mais ou menos subtis. Um elefante e uma mosca são difíceis de confundir mas até entre duas moscas da mesma população, ou da mesma família, as diferenças abundam (mesmo se a sua detecção requer um observador mais atento). Na verdade, a variação é uma propriedade (quase) universal dos organismos vivos, sendo prevalente até para características de importância médica, como a susceptibilidade de desenvolver certas doenças. 

A variação entre indivíduos duma mesma espécie, indivíduos que competem pelo acesso a recursos limitados como alimentos e esconderijos, é a matéria-prima da evolução. Darwin identificou o processo pelo qual se faz uma triagem das variantes que existem numa população e chamou-lhe selecção natural. Os genes dos indivíduos melhor apetrechados para sobreviver e se reproduzirem vão estar sobre-representados na geração seguinte e, consequentemente, também o estarão as características que são codificadas por esses genes. Ao longo das gerações, a selecção natural leva assim à acumulação de alterações em populações e, por fim, à origem de novas espécies.

Apesar das interacções óbvias entre o desenvolvimento e a evolução, dois processos de mudança que acontecem a compassos distintos, as disciplinas que os estudam permaneceram separadas durante grande parte do século XX. A biologia evolutiva e a biologia do desenvolvimento cresceram e especializaram-se independentemente, adquirindo uma linguagem e metodologias próprias. Há pouco mais de duas décadas, no entanto, a espectacular descoberta de que organismos tão distintos como um ser humano, um ratinho e uma mosca partilham muitos dos genes que codificam o desenvolvimento embrionário veio juntar as duas disciplinas. A biologia evolutiva do desenvolvimento, ou evo-devo, estuda a forma como o desenvolvimento embrionário evolui e, ao mesmo tempo, a forma como este pode condicionar o processo evolutivo. Nesta palestra, iremos ver como esta nova disciplina nasceu e como está a crescer e a ajudar-nos a compreender a diversidade biológica.  

5 de Novembro de 2008
 
Patrícia Beldade nasceu a 24 de Maio de 1972, em Lisboa.

Actividades Profissionais
desde 2008: Investigadora Principal no Instituto Gulbenkian de Ciência em Oeiras, Portugal.
desde 2005: Professora Assistente (“tenure-track”) na Universidade de Leiden na Holanda.
2002-2005: Investigadora de pos-doutoramento no laboratório do Prof. Anthony Long, na Universidade da California em Irvine nos E.U.A. (finaciamento EMBO e NSF). 
1997-2001: Estudante de doutoramento no laboratório do Prof. Paul Brakefield na Universidade de Leiden na Holanda (financiamento FCT).
1996/1997: Estudante do programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina.

Qualificações Académicas
2002: Doutoramento cum laude (topo 5%) em “Genética evolutiva e do desenvolvimento” obtido na Universidade de Leiden na Holanda (18 de Abril 18 de 2002).
1995: Licenciatura em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (média final de 18).

Principais Financiamentos e Prémios
2008: Projecto de investigação da Dutch Science Organization NWO (NL) – 5 anos.
2007: Projecto de Investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia (PT) – 3 anos.
2005: Financiamento do Department of Energy (EUA) para sequenciar a borboleta B. anynana.
2005: Projecto de investigação da Dutch Science Organization NWO (NL) – 3 anos.
2003: Projecto de investigação da National Science Foundation (EUA) – 4 anos.
2003: Prémio John Maynard-Smith atribuido bi-anualmente pela Sociedade Europeia para a Biologia Evolutiba a jovens investigadores de excelência na área.
2002: Prémio Kuenen atribuido anualmente pela Universidade de Leiden ao melhor artigo publicado por um estudante de doutoramento.
2002: Prémio Kok atribuido anualmente pela Universidade de Leiden por excelência do trabalho de doutoramento.
2002: Bolsa de pos-doutoramento da European Molecular Biology Organization – 2 anos.
1997: Bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (PT) – 4 anos.

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Sobre Américo Tavares

eng. electrotécnico reformado / retired electrical engineer
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