Conferência Gulbenkian do ciclo ‘Na Fronteira da Ciência’ – Aquecimento Global: a Caminho da Autodestruição ou da Engenharia Climática Planetária

INFORMAÇÃO RECEBIDA DA GULBENKIAN COM PEDIDO DE DIVULGAÇÃO:

« O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a Ciência Viva, realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian  (Av. de Berna, 45 A)  a conferência  – AQUECIMENTO GLOBAL: A CAMINHO DA AUTODESTRUIÇÃO OU DA ENGENHARIA CLIMÁTICA PLANETÁRIA  que terá lugar no dia 18 de Junho, às 18h00, e será proferida pelo Prof. Doutor Ricardo Aguiar, do INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação.   Teria muito gosto em que estivesse presente nesta iniciativa.

Poderá também assistir em directo através do site: http://live.fccn.pt/fcg/  e enviar as suas questões (fronteiradaciencia@gulbenkian.pt) que o orador responderá no final da sessão. Outras informações relativas a esta iniciativa estão disponíveis no site www.gulbenkian.pt/fronteiradaciencia .

Junto tenho o gosto de enviar o texto introdutório do Prof. João Caraça, Director do Serviço de Ciência, bem como o currículo do Prof. Doutor Ricardo Aguiar  e o resumo  da conferência.

Com os melhores cumprimentos.  

Rita Rebelo de AndradeServiço de Ciência

E. – randrade@gulbenkian.pt

T. (00351) 21782 3525 /F. (00351) 21782 3019 »

Anexos:

Na Fronteira da Ciência

A ciência dedica-se ao estudo dos fenómenos da natureza e das suas interacções. Sendo o universo infinito, o processo de o apreendermos, acompanhando o progresso da ciência, não pode parar nem retroceder. A fronteira pula e avança.

Mas a ciência é também um poderoso veículo da cultura das sociedades contemporâneas e do exercício da cidadania. Por este motivo, torna-se necessário que cada vez se faça mais investigação e em melhores condições. O conhecimento científico está na base do espírito crítico, da atitude participativa, da verificação sistemática das condições do funcionamento da realidade de todos os dias.

A democracia é o único regime político que permite questionar livremente a relação da ciência com a sociedade. Ciência e democracia estão, pois, indissoluvelmente ligadas. Importa assim que todos compreendam os desafios e as perspectivas novas que decorrem das actividades na fronteira da ciência. Essas percepções são um poderoso indicador das oportunidades bem como das dificuldades com que se depara a nossa sociedade.

A leitura que fazemos do presente com vista ao futuro é a utopia que se tornará realidade no intervalo de uma geração. Torna-se assim tão importante falar sobre a ciência como fazer investigação na sua fronteira. É este encontro entre a ciência e os cidadãos que é fundamental promover. Para que as suas implicações sejam claras para todos – e para que o gosto pela aventura e pela descoberta perdure como aspiração colectiva.

João Caraça

AQUECIMENTO GLOBAL: A CAMINHO DA AUTODESTRUIÇÃO OU DA ENGENHARIA CLIMÁTICA PLANETÁRIA

RICARDO AGUIAR

As alterações climáticas provocadas pela Humanidade já não se limitam a fenómenos locais ou regionais como o smog e as chuvas ácidas. Alcançam agora todo o Planeta: redução da camada de ozono estratosférica, aquecimento global, acidificação dos oceanos. Isto parece provar a nossa ignorância e irresponsabilidade face aos complexos equilíbrios ambientais, o que acabará por conduzir à catástrofe esta nossa sociedade global que tem vindo a ser desenhada desde o Renascimento. Parece que as mudanças ambientais já várias vezes tiveram esse efeito na História, desde a Mesopotâmia à Civilização Maia.

Se a degradação da camada de ozono com radiação UV mais intensa se manifesta especialmente em zonas circumpolares ainda bastante remotas, já o aquecimento global atinge a maior parte da população. No Mundo e em Portugal os impactos do aquecimento ainda modesto registado no século XX já são visíveis. Guerras como as do Darfur ou mesmo da Palestina podem ser interpretadas já como guerras ambientais. Ora os impactos que se avizinham são muito maiores – e em parte substancial inevitáveis. Por um lado porque não é possível alterar bruscamente a maneira como a Humanidade usa a energia e os recursos naturais, de maneira a cessar rapidamente a emissão de gases com efeito de estufa. E, por outro lado, porque mesmo que isso fosse exequível já não reconduziria à situação anterior à Revolução Industrial, devido à existência de grandes inércias e à perturbação entretanto já introduzida nos sensíveis equilíbrios dos reservatórios de carbono na Biosfera, Atmosfera e Hidrosfera.

Contudo, outras civilizações da História conseguiram mudar e assim ultrapassar crises ambientais, como o povo Chumash da Califórnia. A nossa própria sociedade já mostrou alguma eficácia, ao conseguir conter e, cremos, reverter a degradação da camada de ozono. Podemos ver isso como um primeiro êxito de engenharia climática planetária. O aquecimento global é um desafio mais sério, pois envolve mais actores, toca em controversas questões de equidade internacional e exige uma mais aguda consciência da responsabilidade de cada geração com as seguintes. Em todo o caso as abordagens de ataque ao problema concorrem com outros objectivos identificados como necessários à sustentabilidade, desde a conservação da biodiversidade à segurança do abastecimento energético, da redução da poluição ao desenvolvimento humano justo. Melhoria de comportamentos, de regulamentos e de tecnologia formam um triângulo virtuoso que permite ter esperança no sucesso.

Estamos realmente nas fronteiras da Ciência quando para fundamentar e tornar operacional no concreto a mitigação das alterações climáticas necessitamos perspectivar o que irá suceder – através da prospectiva quantitativa, que recorre à complexa modelação de milhares de aspectos do futuro, do Clima à Sociedade e à Tecnologia. E é mesmo tentar ultrapassar os limites ao considerar que algumas das ambiciosas soluções técnicas que vamos adoptar, como o sequestro de carbono em formações geológicas, poderão um dia servir-nos para estabilizar o Clima face às flutuações cíclicas da actividade solar e às variações astronómicas lentas da órbita da Terra. Ou mesmo ensinar-nos algo sobre como “terraformar” a atmosfera dos planetas Marte e Vénus!

18 de Junho de 2008 

Ricardo Jorge Frutuoso de Aguiar é licenciado em Física (Ciências Geofísicas) e doutorado em Física (Meteorologia), tendo trabalhado em múltiplas áreas de contacto entre a Geofísica, a Engenharia e a Tecnologia, com realce para o desempenho de sistemas de energias renováveis (solar, eólica, ondas) e a eficiência energética em edifícios. Adquiriu também larga experiência em modelação e cenarização sócio-económica e tecnológica, no contexto de estudos de prospectiva energética e de impacto, adaptação e mitigação das alterações climáticas.

Sobre Américo Tavares

eng. electrotécnico reformado / retired electrical engineer
Esta entrada foi publicada em Ciência, Divulgação, Gulbenkian, Notícia com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s