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No site do departamento do Harvard’s Math Department aparece hoje o seguinte enunciado (Putnam problem of the day):
« Evaluate
![\displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots }}} \displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots }}}](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle%5Csqrt%5B8%5D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Ccdots+%7D%7D%7D&bg=ffff00&fg=000000&s=0)
Express your answer in the form
,
where
are integers. »

Resolução
NOTA PRÉVIA: a solução a que cheguei não teria sido possível de encontrar apenas com papel e lápis, pois alguns passos envolveram alguns cálculos numéricos feitos no Scientific Notebook. Se chegar a um método limpo, penso publicá-lo aqui. Efectivamente é possível calcular à mão as potências de um binómio com radicais, como se mostra na adenda de 9-3-2008.

Começo por calcular o radicando, notando que a fracção contínua

verifica

pelo que, como
só poderá ser

e, após alguns cálculos

por este motivo
![\displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots}}}=\sqrt[8]{\dfrac{2207+987\sqrt{5}}{2}}. \displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots}}}=\sqrt[8]{\dfrac{2207+987\sqrt{5}}{2}}.](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle%5Csqrt%5B8%5D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Ccdots%7D%7D%7D%3D%5Csqrt%5B8%5D%7B%5Cdfrac%7B2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%7D%7B2%7D%7D.&bg=ffffff&fg=000000&s=0)
Para que
![\sqrt[8]{\dfrac{2207+987\sqrt{5}}{2}}=\dfrac{a+b\sqrt{c}}{d} \sqrt[8]{\dfrac{2207+987\sqrt{5}}{2}}=\dfrac{a+b\sqrt{c}}{d}](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Csqrt%5B8%5D%7B%5Cdfrac%7B2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%7D%7B2%7D%7D%3D%5Cdfrac%7Ba%2Bb%5Csqrt%7Bc%7D%7D%7Bd%7D&bg=ffffff&fg=000000&s=0)
ou, de forma equivalente,

com
inteiros, é necessário que
seja inteiro, pelo que
deve ser par. Vou admitir que
por outro lado
deverá ser igual a
Então,


![\displaystyle a+b\sqrt{5}=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) } \displaystyle a+b\sqrt{5}=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle+a%2Bb%5Csqrt%7B5%7D%3D%5Csqrt%5B8%5D%7B2%5E%7B7%7D%5Cleft%28+2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%5Cright%29+%7D&bg=ffffff&fg=000000&s=0)

![\displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-b\sqrt{5} \displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-b\sqrt{5}](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle+a%3D%5Csqrt%5B8%5D%7B2%5E%7B7%7D%5Cleft%28+2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%5Cright%29+%7D-b%5Csqrt%7B5%7D&bg=ffffff&fg=000000&s=0)

Como, para 

![\displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-2\sqrt{5}<1 \displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-2\sqrt{5}<1](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle+a%3D%5Csqrt%5B8%5D%7B2%5E%7B7%7D%5Cleft%28+2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%5Cright%29+%7D-2%5Csqrt%7B5%7D%3C1&bg=ffffff&fg=000000&s=0)
excluo esta possibilidade. Resta 

![\displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-\sqrt{5}\approx 5,\,236\,1-2,\,236\,1=3,\,000 \displaystyle a=\sqrt[8]{2^{7}\left( 2207+987\sqrt{5}\right) }-\sqrt{5}\approx 5,\,236\,1-2,\,236\,1=3,\,000](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle+a%3D%5Csqrt%5B8%5D%7B2%5E%7B7%7D%5Cleft%28+2207%2B987%5Csqrt%7B5%7D%5Cright%29+%7D-%5Csqrt%7B5%7D%5Capprox+5%2C%5C%2C236%5C%2C1-2%2C%5C%2C236%5C%2C1%3D3%2C%5C%2C000&bg=ffffff&fg=000000&s=0)

Vou confirmar


A solução pedida a que cheguei foi

![\displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots }}}=\dfrac{3+\sqrt{5}}{2}. \displaystyle\sqrt[8]{2207-\dfrac{1}{2207-\dfrac{1}{2207-\cdots }}}=\dfrac{3+\sqrt{5}}{2}.](http://s0.wp.com/latex.php?latex=%5Cdisplaystyle%5Csqrt%5B8%5D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Cdfrac%7B1%7D%7B2207-%5Ccdots+%7D%7D%7D%3D%5Cdfrac%7B3%2B%5Csqrt%7B5%7D%7D%7B2%7D.&bg=ffff00&fg=000000&s=0)

Adendas de 9-3-2008 e 12-3-2008: O pdf foi actualizado em 12-3.
O cálculo de

pode ser feito à mão da seguinte forma





Actualização de 19-3-2008: veja outra resolução aqui (Putnam 1995, Problem B5 )
Adenda de 7-3-2009: Tradução do Comentário/Demonstração de Vishal Lama da convergência da fracção contínua (comentário de hoje)
« Na resolução apresentada no post,
designa uma expressão que não podemos assumir à partida que seja um número finito.
pode eventualmente ser infinito! Por isso, a maneira de anteceder o cálculo da expressão (da fracção contínua infinita) dada no problema é como segue.
A fracção contínua infinita é definida como sendo o limite da sucessão
, em que
e
qualquer que seja
. Depois, mostramos que a sucessão
é limitada inferiormente (
para todos os
, o que se pode fazer por uma indução simples) e que é também estritamente decrescente (a indução pode usar-se também para o mostrar). A seguir, recorremos ao teorema da convergência monótona ( Monotone Convergence Theorem) para concluir que de facto a sucessão tem um limite (finito), que podemos então designar por
. Uma vez provado que
(ou seja, a fracção contínua infinita!) é finito, podemos calcular
da maneira que fez na resolução. Basicamente é preciso ter todo este trabalho para demonstrar que efectivamente a fracção contínua infinita tem um falor finito! Só depois podemos começar o cálculo! »
Uma parte da minha resposta foi: «Não demonstrei a convergência da fracção contínua. Obrigado por tê-lo feito.
Basicamente admiti a convergência baseado numa certa evidência numérica, mas claro que isso não prova nada.»
ADENDA de 6-05-10: Em alternativa, podemos demonstrar a convergência pelo teorema de Śleszýnki-Pringsheim (referência aqui, wikipedia): se para todos os valores naturais de
, se verificar
, a fracção contínua
é convergente. Ora como
e
, verifica-se a hipótese do teorema:
.