Problemas Teoremas

Maio 7, 2012

Mathematics Stack Exchange — Duas perguntas e respostas sobre a função gama

[Original in English]

Esta é a tradução portuguesa do meu post Two Mathematics Stack Exchange Questions and Answers on the Gamma Function

Questão de pomme. Definição da função gama

“Sei que a função gama com o argumento (-\dfrac{1}{ 2}) — por outras palavras \Gamma(-\dfrac{1}{2}) é igual a -2\pi^{1/2}. Porém, sendo a definição de

\Gamma(k)=\displaystyle\int_0^\infty t^{k-1}e^{-t}dt

como é que \Gamma(-\frac{1}{2}) se pode obter desta definição? WolframAlpha diz que não converge…”

Minha resposta

A sua dúvida faz sentido se para k=-1/2 tentar usar a definição da função gama pelo  integral que escreveu, porque ele diverge em k=-1/2 como diz. Vou tentar esclarecer como segue. Esta representação integral da função gama (uso x em vez de k)

\Gamma (x)=\displaystyle\int_{0}^{\infty }t^{x-1}e^{-t}dt\qquad(0)

é válida nos reais, se e só se,  x>0. Usando a integração por partes podemos mostrar que

\Gamma (x+1)=x\Gamma (x).\qquad(1)

Para x<0 podemos definir \Gamma (x) pata todos os valores negativos de x excepto -1,-2,-3,\cdots não pelo integral (0), mas antes através  da equação funcional (1), que é da forma

\Gamma (x)=\dfrac{\Gamma(x+1)}{x}.\qquad(2)

Então x+1>0 [e] \Gamma (x+1) é convergente. No seu exemplo x=-1/2, logo x+1=1/2 e \Gamma (1+x)=\Gamma (1/2). Assim obtemos

\Gamma (-1/2)=\dfrac{\Gamma(1/2)}{-1/2}=-2\Gamma (1/2)=-2\sqrt{\pi },\qquad(3)

em que usamos o valor conhecido do integral \Gamma(1/2)=\sqrt{\pi }, que pode calcular-se, por exemplo a partir da igualdade

\displaystyle\int_{0}^{\infty }\displaystyle\int_{0}^{\infty }e^{-x^{2}-y^{2}}dxdy=\dfrac{\pi }{4}=\left( \displaystyle\int_{0}^{\infty }e^{-x^{2}}dx\right) ^{2}.\qquad(4)

Analogamente, para x=-3/2, de (2) determinamos que \Gamma (-3/2)=-\frac{2}{3}\Gamma (-1/2), usiando duas vezes (3). A este processo chama-se prolongamento analítico, cuja verdadeira compreensão exige o conhecimento de análise complexa.

\text{Plot of }y=\Gamma(x)\quad -5<x<5

Questão de Amitabh Udayiman. Convergência deste integral

“O meu livro escolar de estatística indicada pela minha escola afirma que o integral

\Gamma(n)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx

é convergente para n>0, não o demonstrando. Por isso alguém me poderia ajudar a demonstrá-lot? Mais uma vez obrigado!”

Minha resposta. Parto do princípio que n é um número real. Decomponha o integral impróprio da função gama

\Gamma(n)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(0)

em I_1+I_2, em que

I_1=\displaystyle\int_{0}^{1}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(1)

e

I_2=\displaystyle\int_{1}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(2)

1. Para demonstrar que o integral I_2 é sempre convergente use o facto de que qualquer que seja o número real \alpha o integral

\int_{1}^{\infty }e^{-x}x^{\alpha }dx\qquad(3)

é convergente, pelo critério do limite

\displaystyle\lim_{x\rightarrow \infty }\dfrac{e^{-x}x^{\alpha }}{x^{-2}}=0\qquad(4)

comparando-o com o integral convergente

\displaystyle\int_{1}^{\infty }\dfrac{dx}{x^{2}}.\qquad(5)

2. Quanto a I_1 considere dois casos. (a) Se n\geq 1, observe que \lim_{x\rightarrow 0}e^{-x}x^{n-1}=0, logo I_1 é um integral próprio. (b) Se 0<n<1, a função integranda e^{-x}x^{n-1} comporta-se como x^{n-1} na vizinhança de n=0, porque e^{-x}\rightarrow 1 quando x\rightarrow 0. Visto que

\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{dx}{x^{1-n}}\qquad(6)

é convergente, se e só se, 1-n<1, isto é n>0, também o é I_1, o que faz com que \Gamma(n)=I_1+I_2 seja convergente para n>0.

Maio 6, 2012

Two Mathematics Stack Exchange Questions and Answers on the Gamma Function

I post here together two answers of mine on MSE both on the gamma function.

Question by pomme. Definition of the gamma function

“I know that the Gamma function with argument (-\dfrac{1}{ 2}) — in other words \Gamma(-\dfrac{1}{2}) is equal to -2\pi^{1/2}. However, the definition of

\Gamma(k)=\displaystyle\int_0^\infty t^{k-1}e^{-t}dt

but how can \Gamma(-\frac{1}{2}) be obtained from the definition? WA says it does not converge…”

My answer

Your doubt makes sense if for k=-1/2 you try using the definition of the gamma function by the integral you have written, because it diverges at k=-1/2 as you stated. I will try to clarify if as follows. This integral representation of the gamma function (I use x instead of k)

\Gamma (x)=\displaystyle\int_{0}^{\infty }t^{x-1}e^{-t}dt\qquad(0)

holds in the reals if and only if x>0. Using integration by parts we can show that

\Gamma (x+1)=x\Gamma (x).\qquad(1)

For x<0 we can define \Gamma (x) for all negative values of x<0 except -1,-2,-3,\cdots not by the integral (0)rather by means of the functional equation (1) in the form

\Gamma (x)=\dfrac{\Gamma(x+1)}{x}.\qquad(2)

Then x+1>0 [and] \Gamma (x+1) is convergent. In your example x=-1/2, so x+1=1/2 and \Gamma (1+x)=\Gamma (1/2). Hence we obtain

\Gamma (-1/2)=\dfrac{\Gamma(1/2)}{-1/2}=-2\Gamma (1/2)=-2\sqrt{\pi },\qquad(3)

where we use the known value of the integral \Gamma(1/2)=\sqrt{\pi }, which can be evaluated, e.g. from the equality

\displaystyle\int_{0}^{\infty }\displaystyle\int_{0}^{\infty }e^{-x^{2}-y^{2}}dxdy=\dfrac{\pi }{4}=\left( \displaystyle\int_{0}^{\infty }e^{-x^{2}}dx\right) ^{2}.\qquad(4)

Similarly, for x=-3/2 by (2) we find \Gamma (-3/2)=-\frac{2}{3}\Gamma (-1/2), using (3) twice. This process is called analytic continuation, but its true understanding requires knowledge of complex analysis.

    \text{Plot of }y=\Gamma(x)\quad -5<x<5

Question by Amitabh Udayiman. Convergence of this integral

“My statistics text book prescribed by my school states that the integral

\Gamma(n)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx

is convergent for n>0.It does not prove the statement. So can anyone please help me prove it? Thanks again!”

My answer. I assume that n is a real number. Split the gamma improper integral

\Gamma(n)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(0)

into I_1+I_2, where

I_1=\displaystyle\int_{0}^{1}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(1)

and

I_2=\displaystyle\int_{1}^{\infty}e^{-x}x^{n-1}dx\qquad(2)

1. To prove that the integral I_2 is always convergent use the fact that for any real number \alpha the integral

\int_{1}^{\infty }e^{-x}x^{\alpha }dx\qquad(3)

is convergent, by the limit comparison test

\displaystyle\lim_{x\rightarrow \infty }\dfrac{e^{-x}x^{\alpha }}{x^{-2}}=0\qquad(4)

with the convergent integral

\displaystyle\int_{1}^{\infty }\dfrac{dx}{x^{2}}.\qquad(5)

2. As for I_1 consider two cases. (a) If n\geq 1 observe that \lim_{x\rightarrow 0}e^{-x}x^{n-1}=0, so I_1 is a proper integral. (b) If 0<n<1, the integrand e^{-x}x^{n-1} behaves like x^{n-1} near n=0, because e^{-x}\rightarrow 1 as x\rightarrow 0. Since

\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{dx}{x^{1-n}}\qquad(6)

is convergent if and only if 1-n<1, i.e. n>0, so is I_1. It follows that \Gamma(n)=I_1+I_2 is convergent for n>0.

Abril 18, 2011

Relações de recorrência geradas pela integração por partes

Ao utilizar o método de integração por partes, por vezes, chega-se a uma relação de recorrência, o que permite reduzir o cálculo de um integral  ao de outro(s) do mesmo tipo, mas de ordem menor e, por isso, mais simples.  Este método traduz-se, como é sabido, na fórmula

\displaystyle\int f(x)g^{\prime }(x)\;\mathrm{d}x=f(x)g(x)-\displaystyle\int f^{\prime }(x)g(x)\;\mathrm{d}x+C

ou, abreviando para u=f(x) e v=g(x),  na seguinte, mais compacta

\displaystyle\int u\;\mathrm{d}v=uv-\displaystyle\int v\;\mathrm{d}u+C

É conveniente escolher para  g^{\prime }(x) a função mais fácil de integrar, das duas que figuram no produto da função integranda.  Normalmente,  as funções logarítmica, trigonométricas inversas, algébricas, trigonométricas e exponencial (regra prática Liate) apresentam uma facilidade de integração crescente. Mas também requere  um certo artifício, como se pode ver, desde logo, com a primitivação, por partes, de \log x=1\cdot\log x, em que se escolhe para função a integrar a constante 1. Para ilustrar o processo que leva à formação de uma relação de recorrência, aplico-o ao integral

(mais…)

Março 2, 2010

9 Problemas e Exercícios já publicados mas ainda Não Resolvidos

Agrupo aqui todos os Problemas e Exercícios já publicados mas ainda Não Resolvidos de todos os níveis.

(a)  Problema sobre a convergência de um integral impróprio :: An Improper Integral Convergence Problem

Demonstre ou infirme: o integral / Prove or disprove: the integral

\displaystyle{\int_{0}^{\infty }\dfrac{1}{e^{x}\left( 1-e^{-x}\right) ^{2}}dx}

é convergente / converges.

25.05.10: corrigida a função integranda/integrand function corrected. Deve ser/Should be

 \dfrac{1}{e^{x}\left( 1-e^{-x}\right)^{2}}

 em vez de/instead of

 \dfrac{1}{e^{2x}\left( 1-e^{-x}\right)^{2}}.

Resolução/Solution (25-05-10)

(b)  1.º Problema de 2010: um integral de Stieltjes :: 2010 Problem #1 – A Stieltjes Integral

Prove que/prove that

\zeta \left( 2\right) =\dfrac{p}{q}\displaystyle\int_{-1}^{\sqrt{3}}\arctan (x)\,d\left( \arctan (x)\right) ,

where/em que  (p,q)\in\mathbb{Z}^{2}.

(c)  Sobre a natureza aritmética da soma e diferença de π (pi, a constante de Arquimedes) e e (constante ou número de Euler)

Sabe por que motivo é que a soma s=\pi+e e a diferença d=\pi-e não podem ser simultaneamente números algébricos?

Se não sabe, não consegue descobrir por si, e quer saber, veja no artigo recente Mathematical Embarassments, do Prof. Dick Lipton a explicação em três linhas (ou menos). Quanto a ambos (s d) serem transcendentes, desconhece-se. Isto é uma questão matemática “embaraçosa”, na opinião do autor do blogue Gödel’s Lost Letter and P=NP.

(d)  Three gamma function identities 

Let n=1,2,\ldots  . Show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n+1)=2^{2n}\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \Gamma (n+1)\qquad\left( 1\right)

and

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n)=2^{2n-1}\Gamma (n)\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 2\right) .

Let x\in\mathbb{R}. If x>0, show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2x)=2^{2x-1}\Gamma (x)\Gamma\left( x+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 3\right) .

Hints: for the first two identities use the formula proved here. As for the last one evaluate the beta function value B(x,x) and by means of an appropriate  change of variable find a relation between B(x,x) and B\left(x,\dfrac{1}{2}\right) .

(e)  Exercício rotineiro, mas trabalhoso, sobre extremos (máximos e mínimos) de uma função trigonométrica

Determine os valores máximos e mínimos assumidos pela função  trigonométrica periódica

 f(t)=\left( \cos t+2\sin t\right) ^{2}+\left( 3\cos t+2\sin t\right) ^{2},

 representada no gráfico, no intervalo \left[ -\pi ,\pi \right] .

ftextremos

Passos de uma possível resolução:

1 – Desenvolver f(t) e obter

f(t)=16\cos t\sin t+10\cos^{2}t+8\sin^{2}t.

2 – Calcular a derivada de f(t)f^{\prime}(t)=16\cos 2t-2\sin 2t.

3 – Resolver a equação f^{\prime}(t)=0 e obter as soluções

  t\in\left\{ \dfrac{\arctan 8}{2}+\dfrac{k\pi }{2}:k\in\mathbb{Z}\right\} .

4 – Observar o andamento da função  no gráfico ou, em alternativa, estudar a variação de sinal da derivada da função.

5 – Concluir que o seu máximo é  f\left( t_{\max }\right) e o mínimo f\left( t_{\min }\right) , em que

t_{\max }=\dfrac{\arctan 8}{2}+k\pi

 e

 t_{\min }=\dfrac{\arctan 8}{2}+\dfrac{\pi }{2}+k\pi .

(f)  Problema não resolvido sobre triângulos e outros polígonos de área máxima inscritos numa circunferência

Mostre que de todos os possíveis triângulos inscritos na circunferência x^2+y^2=r^2 os de maior área são os equiláteros. Se um dos vértices tiver coordenadas \left( r\cos \theta ,r\sin \theta \right) , quais são as dos outros dois?

Generalize para um polígono de n lados.

(g)   Dois Problemas não resolvidos: Transformada de Fourier e Função de Bessel

PROBLEMA 1

1. Calcule a transformada de Fourier da função

f(x)=\left\{\begin{array}{c}\sin x\qquad x\in\lbrack 0,\pi\rbrack\\\text{0}\qquad\qquad x\notin\lbrack 0,\pi\rbrack\end{array}\right.

2. A partir da transformada do ponto anterior obtenha a transformada da função:

g(x)=\left\{\begin{array}{c}|\sin x|\qquad x\in\lbrack 0,4\pi\rbrack\\\text{0}\qquad\qquad x\notin\lbrack 0,4\pi\rbrack\end{array}\right.

3. As funções f e g pertencem à classe das funções contínuas num intervalo \lbrack a ,b\rbrack e nulas fora deste intervalo. Mostre que as funções desta classe possuem transformada de Fourier.

4. Diga se a transformação inversa de Fourier é válida para as funções do ponto 3. Justifique.

PROBLEMA 2

A função de Bessel de ordem zero J_0(x) satisfaz a equação integral

\displaystyle\int_{0}^{x}J_0(y)J_0(x-y)\; dy=\sin x

1. Calcule a sua transformada de Laplace.

2. Determine J_0(0^+) e J_{0}^{^{\prime }}(0^{+}) (considere J_0(0^+)>0.

3. Obtenha o desenvolvimento de J_0(x) em série de potências de x

(h)    Duas questões de Análise Complexa

Nota de 27-5-2009: o blogue echoone deixou de estar disponível.

Passagem do blogue

 http://echoone.wordpress.com/,

 entrada

 Introductory Complex Analysis Final

 (tradução e adaptação do inglês).

« (…) Demonstre que as equações de  Cauchy-Riemann se escrevem em coordenadas polares

u_r=\dfrac{v_\theta}{r}

e

v_r=-\dfrac{u_\theta}{r}

Resolução de Prof. Paulo Sérgio de 2.03.10

(…) Determine o valor de

\displaystyle\int_{0}^{\infty}\dfrac{\sin^{2}x}{x^2}dx  (…) »

Resolução de Prof. Paulo Sérgio de 2.03.10

(i)  Integrais impróprios; a função gama

(…)

PROBLEMA: mostre que a função gama

\Gamma (x)=\displaystyle\int_{0}^{+\infty} t^{x-1}e^{-t}\;dt

é convergente se e só se x>0. Integre por partes e obtenha a relação

\Gamma (x+1)=x\;\Gamma (x)\qquad (x>0)

e verifique  que \Gamma (1)=1, pelo que

\Gamma (n+1)=n!.

 

 

Agosto 26, 2009

Three gamma function identities

Let n=1,2,\ldots  . Show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n+1)=2^{2n}\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \Gamma (n+1)\qquad\left( 1\right)

and

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n)=2^{2n-1}\Gamma (n)\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 2\right) .

Let x\in\mathbb{R}. If x>0, show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2x)=2^{2x-1}\Gamma (x)\Gamma\left( x+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 3\right) .

Hints: for the first two identities use the formula proved here. As for the last one evaluate the beta function value B(x,x) and by means of an appropriate  change of variable find a relation between B(x,x) and B\left(x,\dfrac{1}{2}\right) .

PS. Listed in the Carnival of Mathematics #56. See pingback in the 1st comment.

Agosto 5, 2009

Γ(n+1/2) Valores da função gama a meio de inteiros consecutivos

Como exercício simples do método de  indução podemos demonstrar que

\Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }\qquad n=1,2,3,\ldots .

De facto substituindo em

 \Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

 n por 1, ficamos com

\Gamma \left(1+\dfrac{1}{2}\right)=\Gamma \left( \dfrac{3}{2}\right) =\dfrac{1}{2^{1}}\sqrt{\pi }=\dfrac{1}{2}\sqrt{\pi },

que vemos ser verdadeiro, visto que da equação funcional da função gama

\Gamma \left( x+1\right) =x\Gamma \left( x\right)

se obtém, para x=\dfrac{1}{2}

\Gamma \left( 1+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1}{2}\Gamma \left( \dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1}{2}\sqrt{\pi }.

 Admitimos agora que

\Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

e  fazemos, na equação funcional, x=n+\dfrac{1}{2}. Como vem sucessivamente

\Gamma \left( n+1+\dfrac{1}{2}\right) =\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

=\dfrac{2n+1}{2}\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }=\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) \left( 2n+1\right) }{2^{n+1}}\sqrt{\pi }

=\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) \left[ 2\left( n+1\right) -1\right] }{2^{n+1}}\sqrt{\pi }

demonstra-se desta forma o passo de indução. \blacktriangleleft

Julho 15, 2009

Exercício de Probabilidades sobre aniversários de n pessoas

As magias matemáticas não têm piada quando não se explicam

Nuno Crato, Números Mágicos, Expresso 11.07.09

Integrado no tema Magia da Única do Expresso de 11.07.09 aparece o artigo de  Nuno Crato Números Mágicos.

(Aqui na versão online.)

Números mágicos de Nuno Crato, Expresso, 11.07.09

Números mágicos de Nuno Crato, Expresso, 11.07.09

Nuno Crato divide-o em duas magias matemáticas: uma que se explica pela  Lei de Benford e a outra a que chama O truque dos aniversários no mesmo dia.

 

Nuno Crato, O truque dos aniversários no mesmo dia, Expresso, 11.07.09

Nuno Crato, O truque dos aniversários no mesmo dia, Expresso, 11.07.09

Num ano comum, qual a probabilidade de pelo menos duas  pessoas escolhidas ao acaso entre n fazerem anos em dias diferentes? [editado em 19.07.09]

Depois de ler a exposição e explicação de Nuno Crato, as contas que fiz para responder a esta questão foi relacionar a probabilidade P(n) associada a n pessoas com a probabilidade P(n-1) associada a n-1 pessoas:

P(n)=P(n-1)\times\dfrac{366-n}{365}

chegando, por indução, a

P(n)=\dfrac{1}{365^{n-1}}\times \left( 366-2\right) \times \left( 366-3\right) \times\cdots \times\left( 366-n\right) =\dfrac{1}{365^{n-1}}\displaystyle\prod_{k=2}^{n}\left( 366-k\right)

Exemplo: 30 pessoas

P(30)=\dfrac{1}{365^{30-1}}\displaystyle\prod_{k=2}^{30}\left( 366-k\right) \approx 0,29368\approx 29,37%

Num ano bissexto, qual a probabilidade de pelo menos duas  pessoas escolhidas ao acaso entre n fazerem anos em dias diferentes? [editado em 19.07.09]

A diferença em relação ao ano comum traduz-se apenas em mais  um dia, pelo que

P(n)=\dfrac{1}{366^{n-1}}\times \left( 367-2\right) \times \left( 367-3\right) \times \cdots \times \left( 367-n\right) =\dfrac{1}{366^{n-1}}\displaystyle\prod_{k=2}^{n}\left( 367-k\right)

Exemplo: 30 pessoas

P(30)=\dfrac{1}{366^{30-1}}\displaystyle\prod_{k=2}^{30}\left( 367-k\right) \approx 0,29470\approx 29,47%

Logo, a probabilidade dos aniversários de nenhuma das n pessoas escolhidas ao acaso calharem no mesmo dia é [editado em 21.07.09]

1-P(n)

em que P(n) é dado pelo(s) produto(s) indicado(s) acima. Os dois exemplos anteriores resultam, respectivamente, em

\bar{P}(30)=1-P(30)\approx 100-29,37\%=70,63\%

e

\bar{P}(30)=1-P(30)\approx 100-29,47\%=70,53\%

nos anos comuns e nos bissextos.

Nota de 16.07.09: Pelo princípio das gavetas de Dirichlet, também conhecido pelo das casas dos pombos, se o número de pessoas  n>365 (nos anos comuns) ou n>366 (nos anos bissextos), temos a certeza de que pelo menos duas fazem anos no mesmo dia.

Nota de 21.07.09: outras expressões equivalentes são

P(n)=\left\{ \begin{array}{c}\dfrac{364!}{365^{n-1}\left( 365-n\right) !}\qquad\text{se o ano \'{e} comum} \\ \dfrac{365!}{366^{n-1}\left( 366-n\right) !}\qquad \text{se o ano \'{e} bissexto}\end{array}\right.

e

\bar{P}(n)=1-P(n)=\left\{ \begin{array}{c}1-\dfrac{364!}{365^{n-1}\left( 365-n\right) !}\qquad\text{se o ano \'{e} comum} \\ 1-\dfrac{365!}{366^{n-1}\left( 366-n\right) !}\qquad \text{se o ano \'{e} bissexto}\end{array}\right.

Atendendo a que \Gamma (n+1)=n!, obtemos para os anos comuns,

\bar{P}(x)=1-P(x)=1-\dfrac{\Gamma \left( 365\right) }{365^{x-1}\Gamma \left( 366-x\right) }

cujo representação gráfica é

Probabilidade de duas pessoas pelo menos fazerem aniversários no mesmo dia em função do número de pessoas
Probabilidade de duas pessoas pelo menos fazerem aniversários no mesmo dia em função do número de pessoas

[Actualização de 21.07.09: corrigido título e  o parágrado " ... probabilidade dos aniversários de nenhuma das n pessoas escolhidas ao acaso calharem no mesmo dia ..."]

[Actualização de 22.07.09: nova alteração do título]

Janeiro 22, 2009

Fórmula de reflexão (da função gama) de Euler

pdf: ver caderno

Gráfico de Γ(x) no intervalo ]-5,5]

gamanosreais

A função especial beta é definida para as variáveis reais x,y pelo integral

B(x,y)=\displaystyle\int_{0}^{1}t^{x-1}(1-t)^{y-1}\;dt (1)

que é impróprio mas convergente, no caso de x>0 e y>0 e   pelo menos uma das variáveis x<1 ou y<1.

A função B(x,y) (para x>0 e y>0) relaciona-se com a função especial gama

\Gamma (x)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}t^{x-1}e^{-t}\;dt (2)

através da conhecida identidade

B(x,y)=\dfrac{\Gamma (x)\Gamma (y)}{\Gamma (x+y)} (3)

que não vou demonstrar.

O que me proponho demonstrar é a chamada fórmula da reflexão ou dos complementos da função gama no domínio real, seguindo o método indicado nos exercícios não resolvidos 10 e 11 da página 683 do livro de Angus E. Taylor, Advanced Calculus, Blaisdell Publishing Company, 1955.

Proposição: Se a for real, é válida a identidade seguinte

\dfrac{\pi}{\sin a\pi}=\pi \csc a\pi=B(a,1-a)=\Gamma(a)\Gamma(1-a) (4)

Notação:  \csc a\pi=1/\sin a\pi é  a cosecante de a\pi.

Demonstração: Se 0<a<1, tem-se

\displaystyle\int_{1}^{\infty}\dfrac{y^{a-1}}{1+y}\;dy=\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{x^{-a}}{1+x}\;dx

como resulta da mudança de variável y=1/x. O integral

\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{x^{-a}}{1+x}\;dx

é convergente se a<1, porque nesta condição  \displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{dx}{x^{a}} é convergente e \dfrac{x^{-a}}{x+1}\cdot x^a tende para 1, quando x tende para 0^+, e,  por outro lado, o integral

\displaystyle\int_{1}^{\infty}\dfrac{y^{a-1}}{1+y}\;dy

também nesse caso é convergente, porque \displaystyle\int_{1}^{\infty}\dfrac{dy}{y^{2-a}} converge e \dfrac{y^{a-1}\cdot y^{2-a}}{1+y} tende para 1, quando y tende para \infty.

Outra representação integral da função beta é:

B(x,y)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}\dfrac{u^{x-1}}{(1+u)^{x+y}}\;du (5)

que se obtém de (1) através das substituição

t=\dfrac{u}{1+u}.

De (5) resulta

B(a,1-a)=\displaystyle\int_{0}^{\infty}\dfrac{u^{a-1}}{1+u}\;du=\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{u^{a-1}}{1+u}\;du+\displaystyle\int_{1}^{\infty}\dfrac{u^{a-1}}{1+u}\;du

=\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{u^{a-1}}{1+u}\;du+\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{u^{-a}}{1+u}\;du=\displaystyle\int_{0}^{1}\dfrac{u^{a-1}+u^{-a}}{1+u}\;du

Usando agora o desenvolvimento em série  de

\dfrac{1}{1+u}=\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}(-1)^{n}u^n,

obtém-se

\dfrac{u^{a-1}}{1+u}=\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}(-1)^{n}u^{a-1+n}

e

\dfrac{u^{-a}}{1+u}=\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}(-1)^{n}u^{-a+n},

e integrando termo a termo a função integranda \dfrac{u^{a-1}+u^{-a}}{1+u}, como

(-1)^{n}\displaystyle\int_{0}^{1}u^{a-1+n}\;du=\dfrac{(-1)^{n}}{a+n}

e

(-1)^{n}\displaystyle\int_{0}^{1}u^{-a+n}\;du=\dfrac{(-1)^{n}}{-a+n+1},

depois de agrupar os termos pares da série

\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n}}{a+n}

com os ímpares da série

\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n}}{-a+n+1}

obtém-se no fim a série

\dfrac{1}{a}+2a\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n+1}}{n^2-a^2}.

Em consequência

B(a,1-a)=\Gamma (a)\Gamma (1-a)=\dfrac{1}{a}+2a\displaystyle\sum_{n=0}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n+1}}{n^2-a^2}

 Ora, a série de Fourier da função f(x)=\pi\cos ax, em que -\pi\le x\le\pi, é

\pi\cos ax=2a\sin a\pi\left( \dfrac{1}{2a^2}+\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n+1}\cos nx}{n^2-a^2}\right)

que assume o desenvolvimento particular para x=0:

\pi=\sin a\pi\left( \dfrac{1}{a}+2a\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty}\dfrac{(-1)^{n+1}}{n^2-a^2}\right)

donde, efectivamente

\dfrac{\pi}{\sin a\pi}=\pi \csc a\pi=B(a,1-a)=\Gamma(a)\Gamma(1-a)\qquad\blacksquare

Esta mesma identidade também se verifica para a complexo.

ADENDA de 23-1-2009: para a=1/2 obtém-se

\dfrac{\pi}{\sin \pi/2}=\Gamma(1/2)\Gamma(1/2)

donde

\Gamma\left( \dfrac{1}{2}\right) =\sqrt{\pi} (6)

Actualização de 15-2-2009: acrescentado gráfico da função gama.
 

Julho 25, 2008

Propriedades da função especial gama

A função 

\Gamma (z)=\displaystyle\int_{0}^{+\infty} t^{z-1}e^{-t}\;dt

goza das seguintes propriedades:

  1. Equação Funcional: \Gamma(z+1)=z\Gamma(z)
  2. \Gamma(1)=1
  3. Convexidade logarítmica: Se \alpha +\alpha ^{\prime }=1, então

 \Gamma \left( \alpha z+\alpha^{\prime }z^{\prime }\right) \leq \lbrack \Gamma (z)]^{\alpha }\Gamma(z^{\prime })]^{\alpha ^{\prime }}

Só existe uma função com estas três propriedades, que é precisamente a função Gama, como demonstrado na página 5 do livro de John Stalker, Complex Analysis –  Fundamentals of the Classical Theory of Functions, Birkaeuser, Boston, Basel, Berlin, 1998.

Fevereiro 18, 2008

Integrais impróprios; a função gama

O integral de Riemann de uma função f(x), real de variável real, define-se só para o caso em que essa função integranda existe e é definida para a\le x\le b, com a e b finitos:

\displaystyle\int_{a}^{b} f(x)\;dx

 Nos chamados integrais impróprios não se verificam algumas destas condições.   

Há três tipos de integrais impróprios:

Integrais impróprios de primeira espécie, se a função integranda f(x) existe e é definida para a\le x<+\infty, com a finito ou então  para -\infty<x\le b, com b finito:

I=\displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx= \displaystyle\lim_{b\to +\infty}\displaystyle\int_{a}^{b} f(x) \;dx

Exemplo: \displaystyle\int_{1}^{+\infty} \dfrac{1}{x^3}\;dx 

\displaystyle\int_{-\infty}^{b} f(x)\;dx= \displaystyle\lim_{a\to -\infty}\displaystyle\int_{a}^{b} f(x) \;dx

Exemplo: \displaystyle\int_{-\infty}^{0} \dfrac{1}{1+x^2}\;dx

Integrais impróprios de segunda espécie, se a função integranda tiver uma singularidade no extremo inferior a finito do intervalo de integração, mas para todo o c>a existir  o integral de Riemann de f(x) para  c\le x\le b:

I_i=\displaystyle\int_{a}^{b} f(x)\;dx= \displaystyle\lim_{c\to a^+}\displaystyle\int_{c}^{b} f(x) \;dx

Exemplo: \displaystyle\int_{0}^{1} \dfrac{\log x}{1+x}\;dx,

ou se a função integranda tiver uma singularidade no extremo superior b finito do intervalo de integração, mas para todo o c<b existir  o integral de Riemann de f(x) para a\le x\le c:

I_s=\displaystyle\int_{a}^{b} f(x)\;dx= \displaystyle\lim_{c\to b^-}\displaystyle\int_{a}^{c} f(x) \;dx;

Exemplo: \displaystyle\int_{0}^{1} \dfrac{1}{\sqrt{1-x}}\;dx.

Integrais impróprios mistos, se forem simultaneamente de primeira e segunda espécie 

Exemplo: \displaystyle\int_{0}^{+\infty} \dfrac{1}{(1+x)\sqrt{x}}\;dx.
\bigskip
Um integral impróprio diz-se convergente se o limite que o define existir e divergente no caso contrário. 
\bigskip
À semelhança das séries existem critérios para determinar a convergência ou divergência de um dado integral impróprio partindo do conhecimento da convergência ou divergência de outro. A sua formulação para os integrais de primeira espécie é a dos dois teoremas seguintes, entre outros. Para os de segunda espécie, os teoremas, com as correspondentes alterações,  são igualmente válidos.
\bigskip
Teorema (critério de comparação):  Suponhamos que as funções integrandas f(x) e g(x) são não negativas; e
\bigskip
 
i. f(x)\le g(x) para x\ge c.
\bigskip
Então,
\bigskip
a) se \displaystyle\int_{a}^{+\infty} g(x)\;dx for convergente, \displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx também é convergente;
\bigskip
 
b) se \displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx for divergente, \displaystyle\int_{a}^{+\infty} g(x)\;dx também é divergente.
\bigskip

Teorema (critério do limite):  A - Suponhamos que as funções integrandas f(x) e g(x) são não negativas; e

\bigskip

i. \displaystyle\lim_{x\to +\infty}\dfrac{f(x)}{g(x)}=L, com L finito e diferente de 0.

Então, os dois integrais \displaystyle\int_{a}^{+\infty} g(x)\;dx e  \displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx

são ambos convergentes ou divergentes.

\bigskip

B – Suponhamos que as funções integrandas f(x) e g(x) são não negativas; e

\bigskip

ii. \displaystyle\lim_{x\to +\infty}\dfrac{f(x)}{g(x)}=0,

\bigskip

Então, se \displaystyle\int_{a}^{+\infty} g(x)\;dx for convergente,   \displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx é convergente.

\bigskip

C – Finalmente, suponhamos que as funções integrandas f(x) e g(x) são não negativas; e

\bigskip

iii. \displaystyle\lim_{x\to +\infty}\dfrac{f(x)}{g(x)}=+\infty,

\bigskip

Então, se \displaystyle\displaystyle\int_{a}^{+\infty} g(x)\;dx for divergente,   \displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x);dx é divergente.

\bigskip

Para aplicação destes critérios é útil dispormos de alguns integrais de referência cuja convergência ou divergência conheçamos.

\bigskip

I=\displaystyle\int_{a}^{+\infty} f(x)\;dx

  • Se f(x)=\dfrac{1}{x^p}\qquad (a>0, p\le 1),\qquad I é divergente;
  •  Se f(x)=\dfrac{1}{x^p}\qquad (a>0, p>1),\qquad I é convergente;
  •  Se f(x)=\dfrac{1}{1+x}\qquad (a\ge 0),\qquad I é divergente
  •  Se f(x)=x^{\alpha}\;e^{-x}\qquad (a>0,\alpha\in\mathbb{R}),\qquad I é convergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{(\log x)^p}\qquad (a>1,p>0),\qquad I é divergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{x\;(\log x)^p}\qquad (a>1,p>1),\qquad I é convergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{x\;(\log x)^p}\qquad (a>1,p\le 1),\qquad I é divergente;

e para os integrais de segunda espécie com uma singularidade em x=b

I_s=\displaystyle\int_{a}^{b} f(x)\;dx

ou com uma singularidade em x=a

I_i=\displaystyle\int_{a}^{b} f(x)\;dx

  • Se f(x)=\dfrac{1}{(b-x)^p}\qquad (0< p< 1),\qquad I_s é convergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{(b-x)^p}\qquad ( p\ge 1),\qquad I_s é divergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{(x-a)^p}\qquad (0< p< 1),\qquad I_i é convergente;
  • Se f(x)=\dfrac{1}{(x-a)^p}\qquad ( p\ge 1),\qquad I_i é divergente;
  • Se f(x)=\dfrac{\sin x}{x^p}\qquad (a=0,b=\dfrac{\pi}{2},p<2),\qquad I_i é convergente;
  • Se f(x)=\dfrac{\sin x}{x^p}\qquad (a=0,b=\dfrac{\pi}{2},p\ge 2),\qquad I_i é divergente.

\bigskip

PROBLEMA: mostre que a função gama

\Gamma (x)=\displaystyle\int_{0}^{+\infty} t^{x-1}e^{-t}\;dt

é convergente se e só se x>0. Integre por partes e obtenha a relação

\Gamma (x+1)=x\;\Gamma (x)\qquad (x>0)

e verifique  que \Gamma (1)=1, pelo que

\Gamma (n+1)=n!.

Actualização de 14-3-2008: Alteração da notação dos integrais com singularidades nos extremos inferior e superior do intervalo de integração.

ADENDA de 23-1-2009: pode ver aqui uma aplicação de alguns dos teoremas deste artigo à função gama

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.