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Prove que existe apenas um número natural  que verifica a relação

^{n\!}C_{n-2}=2^{n-2}-1

Sugestão: utilize o princípio de indução para provar que a relação não é satisfeita por nenhum natural superior a seis.

Esta ideia é devida a Vishal Lama (neste comentário em inglês).

1. Diga se existe algum número natural menor que 10 tal que:

^{n\!}C_{n-2}=2^{n-2}-1.

Justifique.

2. Prove que

 ^{n\!}C_{k}=\dfrac{n-k+1}{k}\times ^{n\!}C_{k-1}

3. Determine n de modo a que se tenha

 ^{n+3\!}C_{n}-^{n+2\!}C_{n-1}=15(n+1)

4. Determine n de modo a que se tenha

 ^{n\!}C_{2}=136

Resolução

A fórmula das combinações  ^{n\!}C_{k} é  ^{n\!}C_{k}=\dfrac{n!}{k!(n-k)!}

1. Neste caso tem-se

^{n\!}C_{n-2}=\dfrac{n!}{(n-2)!(n-(n-2))!}=\dfrac{n(n-1)}{2}

Então

  \dfrac{n(n-1)}{2}=2^{n-2}-1

é  equivalente a

 n(n-1)=2^{n-1}-2\Leftrightarrow n^{2}-n=2^{n-1}-2\Leftrightarrow n^{2}=2^{n-1}-2+n

Por tentativas chegamos à solução inteira n=6 (por sinal a  única). Os primeiros casos, começando em n=9 e continuando no sentido descendente são:

9^{2}=81 e 2^{9-1}-2+9=263

8^{2}=64 e 2^{8-1}-2+8=134

7^{2}=49 e 2^{7-1}-2+7=69

que são valores diferentes. Mas

6^{2}=36 e 2^{6-1}-2+6=36

6^{2}=2^{6-1}-2+6=36

 

Verificação:

^{n\!}C_{n-2}=2^{n-2}-1

^{6\!}C_{6-2}=\dfrac{6(6-1)}{2}=15

2^{6-2}-1=15

Os restantes, também diferentes, são

5^{2}=25 e 2^{5-1}-2+5=19

4^{2}=16 e 2^{4-1}-2+4=10

3^{2}=9 e 2^{3-1}-2+3=5

2^{2}=4 e 2^{2-1}-2+2=2

1^{2}=1 e 2^{1-1}-2+1=0

2. Como

 ^{n\!}C_{k}=\dfrac{n!}{k!(n-k)!}

 e

 ^{n\!}C_{k-1}=\dfrac{n!}{(k-1)!(n-(k-1)!}=\dfrac{n!}{(k-1)!(n-k+1)!}

vem

 \dfrac{^{n\!}C_{k}}{^{n\!}C_{k-1}}=\dfrac{\dfrac{n!}{k!(n-k)!}}{\dfrac{n!}{(k-1)!(n-k+1)!}}

=\dfrac{(k-1)!(n-k+1)(n-k)!}{k(k-1)!(n-k)!}=\dfrac{n-k+1}{k}

Logo

 ^{n\!}C_{k}=\dfrac{n-k+1}{k}\times ^{n\!}C_{k-1}

3. Como

 ^{n+3\!}C_{n}=\dfrac{(n+3)!}{n!(n+2-n)!}

=\dfrac{(n+3)(n+2)(n+1)}{2!}=\dfrac{(n+3)(n+2)(n+1)}{2}

e

^{n+2\!}C_{n-1}=\dfrac{(n+2)!}{(n-1)!(n+2-(n-1))!}=\dfrac{(n+2)(n+1)n}{6}

a igualdade indicada é  equivalente, sucessivamente, a

\dfrac{(n+3)(n+2)(n+1)}{2}-\dfrac{(n+2)(n+1)n}{6}=15(n+1)

3(n+3)(n+2)-(n+2)n=90

2n^{2}+13n-72=0

As duas soluções  são:

\dfrac{-13+\sqrt{745}}{4},\dfrac{-13-\sqrt{745}}{4}

Como nenhuma é  inteira, não  tem solução  nos naturais, pelo que não  há  nenhum valor de n que verifique a condição indicada.

4.  Como

^{n\!}C_{2}=\dfrac{n!}{2!(n-2)!}=\dfrac{n(n-1)(n-2)!}{2\times 1\times (n-2)!}=\dfrac{n(n-1)}{2}

e

 \dfrac{n(n-1)}{2}=136

\Leftrightarrow n(n-1)=2\times 136\Leftrightarrow n(n-1)=272\Leftrightarrow n^{2}-n-272=0

A solução  positiva é

n=\dfrac{1+\sqrt{1+4\times 272}}{2}=17

A negativa exclui-se por esse facto.

Verificação:

^{17\!}C_{2}=\dfrac{17\times 16}{2}=136.

Observação de 1-3-2009: comentário suprimido.

Nota de 15-3-2008: nesta entrada pode ver um problema de nível um pouco mais avançado que prolonga o exercício 1 a todos os naturais, aproveitando o 1º. comentário.

 

O blogue A MATEMÁTICA ANDA POR AÍ publicou uma tabela onde se pode ler que as probabilidades de obter o 1º (5 números e 2 estrelas), 2º (5 números e 1 estrela) ou 3º (5 números e 0 estrelas) prémios são, respectivamente

\dfrac{\dbinom{45}{0}\dbinom{5}{5}\dbinom{7}{0}\dbinom{2}{2}}{\dbinom{50}{5}\dbinom{9}{2}},

\dfrac{\dbinom{45}{0}\dbinom{5}{5}\dbinom{7}{1}\dbinom{2}{1}}{\dbinom{50}{5}\dbinom{9}{2}}

e

\dfrac{\dbinom{45}{0}\dbinom{5}{5}\dbinom{7}{2}\dbinom{2}{0}}{\dbinom{50}{5}\dbinom{9}{2}}.

NOTAÇÃO: \dbinom{p}{q} é o chamado coeficiente binomial que é, noutra notação, o mesmo que as combinações de p, q a q: ^{p}C_{q} 

\displaystyle\dbinom{p}{q}=^{p}C_{q}=\frac{p!}{q!\left( p-q\right) !}=\frac{p\left( p-1\right)\left( p-2\right) \cdots \left( p-q+1\right) }{p!}

Verificação

O número total de casos possíveis CP é  dado pelo produto do número de casos possíveis relativamente à extracção dos cinco números (N) pelo número de casos possíveis relativamente à  das duas estrelas (E). Ora, como podem sair cinco números em 50, sem interessar a ordem da extracção, há N=\dbinom{50}{5} possibilidades distintas. Quanto às estrelas escolhem-se duas entre nove, pelo que E=\dbinom{9}{2}.

De

N=\dbinom{50}{5}=\dfrac{50\times 49\times 48\times 47\times 46}{5\times 4\times 3\times 2\times 1}=2118760

e

E=\dbinom{9}{2}=\dfrac{9\times 8}{2\times 1}=36

conclui-se que o número de casos possíveis é

CP=N\times E=\dbinom{50}{5}\times \dbinom{9}{2}=2118760\times 36=76275360

Sobre o de casos favoráveis, vejamos o caso do 1.º prémio. O apostador deve acertar em 5 números e 2 estrelas. Se
separarmos o conjunto dos números 1 a 50 em dois conjuntos, A o do 5 números que foram extraídos e B o dos 45 restantes, o apostador deverá  ter acertado em todos os números de A e em nenhum de B. Há  apenas uma forma de acertar em todos os números de A, que se pode exprimir por \dbinom{5}{5}=1. E igualmente uma única forma de não  acertar em é então

CFN=\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}=1\times 1=1

Raciocinando de forma idêntica em relação às estrelas, chegamos ao número de casos favoráveis de acertos nas estrelas

CFE=\dbinom{2}{2}\times \dbinom{7}{0}=1

Assim o número de casos favoráveis de acertos nos números e nas estrelas é  apenas um:

CF=CFN\times CFE=\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{2}\times\dbinom{7}{0}=1

A probabilidade respectiva é pois

P=\dfrac{CF}{CP}=\dfrac{\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{2}\times \dbinom{7}{0}}{\dbinom{50}{5}\times \dbinom{9}{2}}=\dfrac{1}{76275360}

Em relação  ao 2.º prémio, mantém-se o número de 5 acertos nos números e em vez de 2 o apostador passa a acertar em 1 estrela. Do conjunto de 2 estrelas que saíram acerta em uma e em outra das restantes 7:

CFE=\dbinom{2}{1}\times \dbinom{7}{1}=14

Os casos favoráveis passam a

CF=CFN\times CFE=\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{1}\times\dbinom{7}{1}=14

e a probabilidade a

P=\dfrac{CF}{CP}=\dfrac{\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{1}\times \dbinom{7}{1}}{\dbinom{50}{5}\times \dbinom{9}{2}}=\dfrac{14}{76275360}

Finalmente, no 3.º prémio o apostador acerta em todos os números, mas em nenhuma estrela, ou seja as duas estrelas em que apostou fazem parte das 7 que não saíram, logo

CFE=\dbinom{2}{0}\times \dbinom{7}{2}=1\times \dfrac{7\times 6}{2\times 1}=21

O número de casos favoráveis passa a ser

CF=CFN\times CFE=\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{0}\times \dbinom{7}{2}=21

e a probabilidade

P=\dfrac{CF}{CP}=\dfrac{\dbinom{5}{5}\times \dbinom{45}{0}\times \dbinom{2}{0}\times \dbinom{7}{2}}{\dbinom{50}{5}\times \dbinom{9}{2}}=\dfrac{21}{76275360}.

25-5-2009: corrigido erro no denominador das fórmulas e acrescentada verificação

Prove as seguintes fórmulas

  1. \displaystyle\sum_{k=1}^{K}\dfrac{a_{1}a_{2}...a_{k-1}}{(x+a_{1})(x+a_{2})...(x+a_{k})}=\dfrac{1}{x}-\dfrac{a_{1}a_{2}...a_{K}}{x(x+a_{1})(x+a_{2})...(x+a_{K})}

    \bigskip

  2. Caso particular para x=n^{2} e a_{k}=-k^{2}
    \displaystyle\sum_{k=1}^{n-1}\dfrac{\left( -1\right) ^{k-1}\left( k-1\right) !^{2}}{\left( n^{2}-1^{2}\right) ...\left( n^{2}-k^{2}\right) }=\dfrac{1}{n^{2}}-\frac{\left( -1\right) ^{n-1}\left( n-1\right) !^{2}}{n^{2}\left( n^{2}-1^{2}\right) ...\left[ n^{2}-\left( n-1\right) ^{2}\right] }

    \bigskip

  3. \displaystyle\sum_{n=1}^{N}\displaystyle\sum_{k=1}^{n-1}(-1)^{k}\left( \varepsilon _{n,k}-\varepsilon_{n-1,k}\right) =2\left( \displaystyle\sum_{n=1}^{N}\dfrac{1}{n^{3}}-\dfrac{2\left( -1\right) ^{n-1}}{n^{3}\dbinom{2n}{n}}\right)
    em que
    \displaystyle\varepsilon _{n,k}=\dfrac{1}{k^{3}\dbinom{n}{k}\dbinom{n+k}{k}}

    \bigskip

  4. \displaystyle\sum_{n=1}^{N}\displaystyle\sum_{k=1}^{n-1}\left( -1\right) ^{k}\left( \varepsilon_{n,k}-\varepsilon _{n-1,k}\right)=\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\displaystyle\sum_{n=k+1}^{N}\left( -1\right) ^{k}\left( \varepsilon _{n,k}-\varepsilon _{n-1,k}\right)= =\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\left( -1\right) ^{k}\left( \varepsilon _{N,k}-\varepsilon_{k,k}\right)

    \bigskip

  5. \displaystyle\sum_{k=1}^{N}\left( -1\right) ^{k}\left( \varepsilon _{N,k}-\varepsilon_{k,k}\right)=\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\dfrac{\left( -1\right) ^{k}}{k^{3}\dbinom{N}{k}\dbinom{N+k}{k}}-\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\dfrac{\left( -1\right) ^{k}}{k^{3}\dbinom{2k}{k}}

    \bigskip

  6. \displaystyle\sum_{n=1}^{N}\dfrac{1}{n^{3}}+\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\dfrac{\left( -1\right) ^{k-1}}{2k^{3}\dbinom{N}{k}\dbinom{N+k}{k}}= \dfrac{5}{2}\displaystyle\sum_{k=1}^{N}\frac{\left( -1\right) ^{k-1}}{k^{3}\dbinom{2k}{k}}

 

Resolução: veja a secção 3 deste artigo de Alf van der Poorten

http://www.ift.uni.wroc.pl/~mwolf/Poorten_MI_195_0.pdf,

A proof that Euler Missed …

(também disponível  aqui).

De um baralho de 52 cartas, correctamente baralhado, tiram-se cartas à sorte. Calcular a probabilidade de ao extrair:

  1. duas cartas serem ambas de Copas;
  2. duas cartas serem uma Dama e um Valete;
  3. três cartas serem todas de Ouros e entre elas figurar o Ás.

Respostas

  1. 1 / 17

  2. 8 / 663

 Resolução do 3.

Há 13 Ouros no baralho, pelo que a probabilidade de sair um Ouro ao extrair uma carta é 13 / 52. Como ficam 51 cartas, ao extrair a 2ª carta, a probabilidade de ser um Ouro é 12 / 51; e na 3ª extracção 1 / 50, uma vez que só há um Ás de Ouro. Logo, a probabilidade será

\displaystyle\frac{13}{52}\displaystyle\frac{12}{51}\displaystyle\frac{1}{50}=\displaystyle\frac{11}{11050}

No entanto, o Ás poderá ser extraído na 1ª, 2ª ou 3ª tiragem. Por isso a probabilidade pedida é tripla da anterior:

\displaystyle\frac{33}{11050} \qquad\blacktriangleleft

 

NOTA: A extracção de 3 cartas de uma só vez é equivalente a 3 tiragens sucessivas  sem reposição.

 

 

Américo Tavares

1951, eng. electrotécnico, IST, 1974, reformado;
membro da Ordem dos Engenheiros e sócio da Sociedade Portuguesa de Matemática.

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