You are currently browsing the category archive for the 'Cálculo' category.

Let n=1,2,\ldots  . Show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n+1)=2^{2n}\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \Gamma (n+1)\qquad\left( 1\right)

and

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2n)=2^{2n-1}\Gamma (n)\Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 2\right) .

Let x\in\mathbb{R}. If x>0, show that

\sqrt{\pi}\;\Gamma (2x)=2^{2x-1}\Gamma (x)\Gamma\left( x+\dfrac{1}{2}\right)\qquad \left( 3\right) .

Hints: for the first two identities use the formula proved here. As for the last one evaluate the beta function value B(x,x) and by means of an appropriate  change of variable find a relation between B(x,x) and B\left(x,\dfrac{1}{2}\right) .

PS. Listed in the Carnival of Mathematics #56. See pingback in the 1st comment.

Como exercício simples do método de  indução podemos demonstrar que

\Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }\qquad n=1,2,3,\ldots .

De facto substituindo em

 \Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

 n por 1, ficamos com

\Gamma \left(1+\dfrac{1}{2}\right)=\Gamma \left( \dfrac{3}{2}\right) =\dfrac{1}{2^{1}}\sqrt{\pi }=\dfrac{1}{2}\sqrt{\pi },

que vemos ser verdadeiro, visto que da equação funcional da função gama

\Gamma \left( x+1\right) =x\Gamma \left( x\right)

se obtém, para x=\dfrac{1}{2}

\Gamma \left( 1+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1}{2}\Gamma \left( \dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1}{2}\sqrt{\pi }.

 Admitimos agora que

\Gamma \left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

e  fazemos, na equação funcional, x=n+\dfrac{1}{2}. Como vem sucessivamente

\Gamma \left( n+1+\dfrac{1}{2}\right) =\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \Gamma\left( n+\dfrac{1}{2}\right) =\left( n+\dfrac{1}{2}\right) \dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }

=\dfrac{2n+1}{2}\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) }{2^{n}}\sqrt{\pi }=\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) \left( 2n+1\right) }{2^{n+1}}\sqrt{\pi }

=\dfrac{1\cdot 3\cdot 5\cdots \left( 2n-1\right) \left[ 2\left( n+1\right) -1\right] }{2^{n+1}}\sqrt{\pi }

demonstra-se desta forma o passo de indução. \blacktriangleleft

Actualização de 1.08.09: incluída figura

| cos α + i sin α | = 1, Re(α) = cos α, Im(α) = sin α

| cos α + i sin α | = 1, Re(α) = cos α, Im(α) = sin α

De

z=e^{i\alpha }=\cos \alpha +i\sin \alpha

e

z^{-1}=e^{-i\alpha }=\cos \alpha -i\sin \alpha

obtemos, por soma

\cos \alpha =\dfrac{e^{i\alpha }+e^{-i\alpha }}{2}

e, por subtracção

\sin \alpha =\dfrac{e^{i\alpha }-e^{-i\alpha }}{2i}

Em vez dos métodos usuais da trigonometria é  possível verificar uma identidade trigonométrica que seja uma fracção racional em \cos \alpha e \sin \alpha utilizando estas substituições. Este é  um dos métodos indicados neste post de Annoying Precision.

Exemplo: Demonstrar a seguinte identidade

\dfrac{1+\sin \alpha }{\cos \alpha }=\dfrac{\cos \alpha }{1-\sin \alpha }\qquad \alpha \neq \left( 2k+1\right) \dfrac{\pi }{2};\;k\in\mathbb{N}_{0}

Então fazendo as substituiçoes no primeiro membro, teremos

\dfrac{1+\sin \alpha }{\cos \alpha }=\dfrac{1+\dfrac{e^{i\alpha }-e^{-i\alpha }}{2i}}{\dfrac{e^{i\alpha }+e^{-i\alpha }}{2}}

e, no segundo

\dfrac{\cos \alpha }{1-\sin \alpha }=\dfrac{\dfrac{e^{i\alpha }+e^{-i\alpha }}{2}}{1-\dfrac{e^{i\alpha }-e^{-i\alpha }}{2i}}

Assim, para que a identidade seja verdadeira é  condição suficiente que seja verdadeira a seguinte

\dfrac{1+\dfrac{e^{i\alpha }-e^{-i\alpha }}{2i}}{\dfrac{e^{i\alpha}+e^{-i\alpha }}{2}}=\dfrac{\dfrac{e^{i\alpha }+e^{-i\alpha }}{2}}{1-\dfrac{e^{i\alpha }-e^{-i\alpha }}{2i}}

ou, visto que z=e^{i\alpha } e z^{-1}=e^{-i\alpha },  as identidades sucessivas

\left( 1+\dfrac{z-z^{-1}}{2i}\right) \left( 1-\dfrac{z-z^{-1}}{2i}\right) =\left( \dfrac{z+z^{-1}}{2}\right) \left( \dfrac{z+z^{-1}}{2}\right)

1-\left( \dfrac{z-z^{-1}}{2i}\right) ^{2}=\dfrac{\left( z+z^{-1}\right) ^{2}}{4}

1+\dfrac{\left( z-z^{-1}\right) ^{2}}{4}=\dfrac{\left( z+z^{-1}\right) ^{2}}{4}

4+\left( z-z^{-1}\right) ^{2}=\left( z+z^{-1}\right) ^{2}

4+z^{2}+z^{-2}-2z^{-1}z=z^{2}+z^{-2}+2z^{-1}z

4-2=2

Como esta identidade é verdadeira, conclui-se que as anteriores, incluindo a do exemplo são igualmente verdadeiras.

\bigskip

Exercício: Verifique a seguinte identidade trigonométrica

3+4\cos \alpha +\cos 2\alpha =2\left( 1+\cos \alpha \right) ^{2}

usada, na forma da desigualdade 

3+4\cos \alpha +\cos 2\alpha \geq 0,

por De la Vallée Poussin num passo da demonstração  do teorema dos números primos

\blacktriangleright Seguindo o mesmo procedimento

\cos \alpha =\dfrac{e^{i\alpha }+e^{-i\alpha }}{2}\qquad ,

 ou

\cos 2\alpha =\dfrac{e^{i2\alpha }+e^{-i2\alpha }}{2}\qquad ,

e

z=e^{i\alpha }=\cos \alpha +i\sin \alpha

z^{-1}=e^{-i\alpha }=\cos \alpha -i\sin \alpha

tem-se agora

3+4\dfrac{z+z^{-1}}{2}+\dfrac{z^{2}+z^{-2}}{2}=2\left( 1+\dfrac{z+z^{-1}}{2}\right) ^{2}

ou, após simplificação

\dfrac{1}{2}z^{2}+2z+3+2z^{-1}+\dfrac{1}{2}z^{-2}=\dfrac{1}{2}z^{2}+2z+3+2z^{-1}+\dfrac{1}{2}z^{-2}

0=0\qquad \blacktriangleleft

Adenda de 2.08.09:

Problema: utilize  este método para demonstrar que

\dfrac{1-2\cos ^{2}\alpha }{\sin \alpha \cos \alpha }=\tan \alpha -\cot \alpha

isto é

\dfrac{1-2\cos ^{2}\alpha }{\sin \alpha \cos \alpha }=\dfrac{\sin \alpha }{\cos \alpha }-\dfrac{\cos \alpha }{\sin \alpha }.

Por este processo também é fácil verificar se certas  igualdades trigonométricas são  identidades ou equações. Por exemplo, veja se a igualdade seguinte é ou não uma identidade:

3\cos^2x+5\sin^2x=7\sin x

Muitas vezes  uma série é telescópica, mas nem sempre é fácil reconhecer esse facto.

Exercício: Sejam a_n e b_n respectivamente

a_n=\arcsin (b_n)+\arctan (n-1)-2\sqrt{\arctan (n)\cdot\arcsin (b_{n-1})}

 b_n=\dfrac{n}{\sqrt{1+n^2}}.

Mostre que \displaystyle\sum_{n=1}^{\infty }\sqrt{a_n}=\sqrt{\dfrac{\pi }{2}}.

Resolução: a única dificuldade é mostrar que a série é telescópica. Vamos aproveitar a identidade trigonométrica  provada  neste problema:

\arctan\left( \dfrac{u}{\sqrt{1-u^{2}}}\right) =\arcsin u.

Dela obtém-se

\arctan \left( x\right) =\arcsin \left( \sqrt{\dfrac{x^{2}}{1+x^{2}}}\right) ,

fazendo a substituição u=\sqrt{\dfrac{x^{2}}{1+x^{2}}} ( equivalente a x=\dfrac{u}{\sqrt{1-u^{2}}}). Assim, temos

 \arcsin (b_n)=\arcsin\left(\dfrac{n}{\sqrt{1+n^2}}\right) =\arctan \left( n\right)

\arcsin (b_{n-1})=\arcsin\left(\dfrac{n-1}{\sqrt{1+{n-1}^2}}\right) =\arctan \left( {n-1}\right)

donde

a_n=\arctan \left( n\right) +\arctan (n-1)-2\sqrt{\arctan (n)\cdot\arctan \left( {n-1}\right) }.

Pondo u_{n}=\arctan \left( n\right) e atendendo à relação algébrica

\sqrt{u_{n}+u_{n-1}-2\sqrt{u_{n}u_{n-1}}}=\sqrt{u_{n}}-\sqrt{u_{n-1}}

chegamos efectivamente à série telescópica

\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty }\sqrt{a_{n}}=\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty }\sqrt{u_{n}+u_{n-1}-2\sqrt{u_{n}u_{n-1}}}

=\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty }\sqrt{u_{n}}-\sqrt{u_{n-1}}=\underset{N\rightarrow \infty }{\lim }\sqrt{u_{N}}-\sqrt{u_{0}}

=\underset{N\rightarrow \infty }{\lim }\sqrt{\arctan \left( N\right) }-\sqrt{\arctan \left( 0\right) }=\underset{N\rightarrow \infty }{\lim }\sqrt{\arctan \left( N\right) }=\sqrt{\dfrac{\pi }{2}}\blacktriangleleft

Repetindo, muitas vezes  uma série é telescópica, mas nem sempre é fácil reconhecer esse facto. Com este exemplo pretendi ilustrar uma situação de dificuldade intermédia, avaliação que é claramente subjectiva porque depende muito de resultados anteriores que se conhecem ou não: neste caso, uma identidade trigonométrica.

Admitamos que uma dada função  real f é  contínua no intervalo \left[ a,b\right] e diferenciável em \left] a,b\right[ . Pelo teorema de Rolle, se f(a)=f(b), existe um ponto c\in\left] a,b\right[ tal que f^{\prime}(c)=0. Como é sabido a interpretação geométrica é  que entre os pontos \left( a,f(a)\right) e \left( b,f(b)\right) do gráfico de f há  pelo menos uma tangente horizontal. Por exemplo, consideremos a função f(x)=x^{2}-1 no intervalo \left[ -1,1\right] . Neste caso, em que f(-1)=f(1)=0 e as condições da hipótese do teorema se verificam, deve haver um c\in\left] -1,1\right[ tal que f^{\prime }(c)=0. Como f^{\prime }(x)=2x vemos que c=0 .

Antes de expor a aplicação em toda a sua generalidade, vejamos primeiro duas situações particulares. Uma, com g(x)=x^{2}-1 e f(x)=g(x)e^{-3x}. Continua a ser f(-1)=f(1)=0. Mas

f^{\prime }(x)=g^{\prime }(x)e^{-3x}-3g(x)e^{-3x}=\left[ g^{\prime }(x)-3g(x)\right] e^{-3x}

Pelo mesmo teorema existe algum ponto c em \left] -1,1\right[ onde f^{\prime }(c)=0. Como e^{-3x}\neq 0, c deve ser a raiz de

g^{\prime }(c)-3g(c)=0

Podemos dar uma interpretação gráfica a este resultado: há pelo menos um ponto entre \left( -1,g(-1)\right) e \left( 1,g(1)\right) do gráfico de g cuja tangente tem um declive igual ao triplo do valor de g nesse ponto. Para esta função g esse ponto é facilmente calculável

g^{\prime }(c)-3g(c)=0\Leftrightarrow 2c-3\left( c^{2}-1\right) =0\Leftrightarrow c=\dfrac{1}{3}-\dfrac{1}{3}\sqrt{10}

\bigskip

rolleex

\bigskip

Generalizando um pouco, se g(x)=x^{2}-1 e alterarmos f(x) para

f(x)=g(x)e^{-kx}\qquad k\in\mathbb{R}

obtemos c\in \left] -1,1\right[ tal que

g^{\prime }(c)-kg(c)=0

Finalmente eis a aplicação de maior generalidade, cuja  forma  de resolução é a sugerida na Referência.

Seja g  uma função real definida em \left[ a,b\right] e diferenciável em \left] a,b\right[ ; se g(a)=g(b)=0, então qualquer que seja o real k, existe um ponto c\in \left] a,b\right[   tal que

g^{\prime }(c)=kg(c).

\blacktriangleright Consideremos um k\in\mathbb{R} arbitrário e a função f(x)=g(x)e^{-kx}. Como e^{-kx} não se anula qualquer que seja o real x, os zeros de g(x) são  os de f(x), o que nos permite afirmar que f(a)=f(b)=0.

Sendo g diferenciável em \left] a,b\right[ , é contínua neste intervalo, pelo que f também é contínua e diferenciável para todo o x\in \left] a,b\right[ , logo verificam-se as condições de aplicação à  função  f do teorema de Rolle. Assim existe um ponto c em \left] a,b\right[ onde f^{\prime }(c)=0. Mas a derivada de f(x) é a função

f^{\prime }(x)=g^{\prime }(x)e^{-kx}-kg(x)e^{-kx}

donde, pelo mesmo motivo atrás indicado em relação  aos zeros de g(x) e de f(x), haverá um zero de f^{\prime }(c)

f^{\prime }(c)=g^{\prime }(c)e^{-kc}-kg(c)e^{-kc}=\left( g^{\prime }(c)-kg(c)\right) e^{-kc}

que ocorre quando

g^{\prime }(c)-kg(c)=0

o que justifica a afirmação enunciada. \blacktriangleleft

O k é  arbitrário, o que nos permite apenas afirmar que qualquer que seja k\in\mathbb{R} existe um c\in \left] a,b\right[ tal que f^{\prime }(c)=kf(c), sem saber em geral a relação entre c e k. A interpretação  geométrica deste resultado é  a de que no gráfico de uma função g, nas condições enunciadas, há pelo menos um ponto entre \left( a,g(a)\right) e \left( b,g(b)\right) cuja tangente tem um declive que é  um múltiplo  arbitrário do valor de g nesse ponto.

Nota: informaram-me que a aplicação apresentada será  um exercício de Curso de Análise, vol.1, de Elon Lages Lima.

Américo Tavares

1951, eng. electrotécnico, IST, 1974, reformado;
membro da Ordem dos Engenheiros e sócio da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Bem-vindo(a)!

Arquivos

Categorias (Temas)

Acompanhamento via RSS de Blogues com Matemática

… em português

… não portugueses

Ligações (Links)

N.º de Visualizações (início: Out. 2007)

  • 236,550
WordPress link