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19-11-2008: Advertência aos leitores – pelo teor dos comentários sou levado a concluir que muitos dos que por aqui passam desejariam uma explicação didática com teoria e exercícios sobre este teorema, frustanto assim as suas expectativas.
No entanto, com esta entrada, só pretendi, quando a escrevi, algo mais modesto: enunciar o teorema, que foi ilustrado de forma rudimentar por falta de meios adequados, e fundamentalmente referir que o mesmo é a Proposição 47 do livro I dos Elementos de Euclides, referindo o livro onde obtive esta informação.
Depois acrescentei um exercício — mas pelo motivo de que falei atrás sem a figura geométrica que o tornaria imediatamente claro [figura acrescentada em 2-3-2009] – e, ontem, um link para uma outra entrada da edição especial da revista La Recherche de Nov 2008, essa com figura sugestiva.
Para verdadeiramente aprenderem e exercitarem este teorema, deverão procurar outras fontes de informação, podendo ajudar os links que indico, aliás foi essa a minha ideia.
Dou esta explicação por consideração para com os leitores desta entrada: a mais visitada de todas, até agora.
– / –
1. Triângulo rectângulo: na figura a seguir o ângulo interno entre os lados a azul e a verde é recto
Notação: hipotenusa
cateto azul
cateto verde
2. Teorema: . A área do quadrado vermelho (sobre o lado
) é igual à soma das áreas dos quadrados azul (sobre o lado
) e verde (sobre o lado
)

3. Demonstração de Euclides: construção auxiliar usada por Euclides (com omissão das letras identificativas dos vértices e com linhas coloridas em vez de a preto) na Proposição 47 do livro I dos Elementos

Proposição 47 do livro I dos Elementos de Euclides
Neste link http://www.cut-the-knot.org/pythagoras/index.shtml poderá encontrar, em inglês, 78 demonstrações deste Teorema.
Ou ainda nesta entrada de Terence Tao e respectivos comentários.
Poderá ver nesta minha entrada uma demonstração em francês publicada no número especial sobre Matemáticas de Nov 2008 da revista La Recherche.
Exercício: Determine o comprimento de cada um dos lados iguais de um triângulo isósceles, de base
e área
.
Resolução: Seja a base. A altura une o ponto da base equidistante de cada vértice situado nos extremos; a distândia a cada um é igual a
. Esta altura divide o triângulo isósceles de lados
em dois triângulos rectângulos simétricos: o da esquerda de lados
e
e o da direita
e
, cada um com uma área igual a
. Pelo Teorema de Pitágoras aplicado, por exemplo, ao da esquerda sabemos que
Como a área do triângulo de lados é
,
, podemos exprimir
em função de
:
como é pedido.
Exercício de aplicação numérica: Sabendo que e
, determine
.
Resposta
Em 4-3-2009, o leitor Thais, noutra entrada, colocou o seguinte problema que transcrevo, embora mudando-o para a ortografia do Português de Portugal:
Problema: Dois navios navegavam pelo Oceano Atlântico supostamente plano: X, à velocidade constante de 16 milhas por hora, e Y à velocidade constante de 12 milhas por hora. Sabe-se que às 15 horas de certo dia Y estava exactamente 72 milhas a Sul de X e que a partir de então Y navegou em linha recta para o Leste, enquanto X navegou em linha recta para o Sul, cada qual mantendo suas respectivas velocidades. Nessas condições às 17 horas e 15 minutos do mesmo dia, a distância entre X e Y , em milhas era
a) 45 b) 48 c) 50 d) 55 e) 58
???
Eis a minha resposta de 5-3-2009:
A resposta é 45.
Justificação: 17h15m – 15h = 2h15m = 2,25 h é a diferença horária entre as 15 horas e as 17 horas e 15 minutos.
Nesse intervalo de tempo o navio X deslocou-se 16 × 2,25 = 36 milhas e o navio Y, 12 × 2,25 = 27 milhas.
Às 17 horas e 15 minutos, em relação à posição de Y às 15 horas, X está a 72 – 36 = 36 milhas a Norte e Y a 27 milhas a Leste. Estas posições definem um triângulo rectângulo de catetos 36 milhas e 27 milhas. Pelo Teorema de Pitágoras, o quadrado da hipotenusa desse triângulo é igual a 36²+27²=2025 milhas ao quadrado (ou milhas quadradas). Logo a hipotenusa propriamente dita é igual a milhas.
A medida desta hipotenusa é precisamente a distância entre os dois navios.
REFERÊNCIA: Philip Davis e Reuben Hersh, A Experiência Matemática, p. 146, Gradiva, 1995.
[21-5-2008: incluído link para o artigo de Terence Tao]
ADENDA DE 25-5-2008: ver vídeos 3, 4 e 5 desta entrada: http://problemasteoremas.wordpress.com/2008/05/25/videos-de-e-sobre-matematica/
ADENDA DE 29-9-2008: acrescentados exercícios.
[Actualização de 30-9-2008: versão 3 do pdf]
ADENDA DE 18-11-2008: acrescentado link para a minha entrada sobre a La Recherche de Nov 2008 (Spécial Mathématiques)
ADENDA DE 5-3-2009: acrescentado problema e resposta.








(evolução trimestral)

15 comments
Comments feed for this article
Setembro 3, 2008 às 6:41 pm
helias assunção freitas
gostaria de saber onde encontrar o livro “A proposição de Pitagoras” que mostra mais
de 300 demonstrações do teorema de pitagoras.
Setembro 3, 2008 às 9:28 pm
Américo Tavares
Vejo que o original inglês “The Pythagorean Proposition” de Elisha S. Loomis está esgotado.
Quanto à versão portuguesa não a conheço.
Talvez ajude esta dissertação de Irma Verri Bastian – O Teorema de Pitágoras
http://www.pucsp.br/pos/edmat/ma/dissertacao_irma_verri_bastian.pdf
que lista este livro na Bibliografia.
Lamento não poder ajudar mais.
Setembro 13, 2008 às 8:39 pm
livia
gostaria que vc colocassem mais coisas sobre o teorema de pitagoras e mais calculos ou materia de matematica e muito pouco o que tem atualizem mais por favorrrrrrrrrrrr
Setembro 29, 2008 às 7:32 am
Américo Tavares
livia
Eu sei que é pouco, mas o que eu pretendo é apresentar assuntos de nível variado, não podendo por diversos motivos cobrir muitos, nem na teoria nem em termos de exercícios ou problemas. Porém, vou acrescentar aqui um exercício de aplicação do Teorema de Pitágoras. Gostaria de acrescentar que o mais importante, que seria apresentar uma demonstração completa deste célebre Teorema só não o fiz por falta de meios para gerar com razoável apresentação figuras geométricas com a notação clássica dos vértices, lados, etc.
Exercício: Determine o comprimento
de cada um dos lados iguais de um triângulo isósceles, de base
e Área
.
Poderá ver a resolução que acrescentei em cima.
Outubro 15, 2008 às 5:40 pm
Moy Coelho
gostae de ver o vosso site, e as materias que nele estão publicados. espero voltar a acessar-lo e aprender mais algo.
hoje pesquisei algo sobre o mistico teorema doe Pitagoras.
até mais…
Outubro 26, 2008 às 9:32 pm
marla
olhem,nao entenddi,eu queria exercicios para q eu resolva.
obrigado!!
Outubro 30, 2008 às 2:36 pm
katia
esta insuficiente
Outubro 30, 2008 às 4:24 pm
Américo Tavares
Comentários 6 e 7:
Vejam o meu comentário 4 em resposta a 3.
Novembro 17, 2008 às 7:55 pm
tata
nao endendi nada
Novembro 17, 2008 às 9:14 pm
Américo Tavares
tata,
O enunciado é claro. A demonstração não a apresentei por motivos de direitos de autor. O exemplo tem de o conseguir visualizar, uma vez que não forneci uma figura. Mas deve conseguir desenhá-la, com a descrição que forneço. Com a figura deverá ser capaz de acompanhar a resolução do exercício, penso eu.
[Figura acrescentada em 2-3-2009]
Abril 14, 2009 às 8:31 pm
rayanne emmanuelly
precisa de mais desenhos na hora dos problemas,é mais facil de estudar
Abril 25, 2009 às 9:21 pm
Américo Tavares
Cara rayanne emmanuelly
Compreendo a sua sugestão, que de resto é uma “falta” de que já me apercebi, como pode ver no que disse, em 19-11-2008, na “Advertência aos leitores”.
Dentro da medida do possível tenho algumas vezes incluído uma figura, como no exercício.
O lado positivo é que se se torna mais difícil visualizar o enunciado sem a figura geométrica, também se aprende bastante ao desenhá-la ou imaginá-la só com as indicações escritas fornecidas.
Maio 6, 2009 às 8:19 pm
Anónimo
eu gostei,so queria que fizesse a conta pra ficar mais facil de estdar!
obg
.
;**
Julho 9, 2009 às 9:54 pm
filipe
meio complexo pra alguem da séima série como eu
não acha!?
Julho 9, 2009 às 10:15 pm
Américo Tavares
Repare que este artigo começou essencialmente apenas com a identificação da Proposição de Euclides, como digo na advertência.
Depois fui acrescentando os vários aditamentos indicados acima.
Mas continua a não ter valor expositivo – isto é, não serve para aprender a Matemática associada a este Teorema.